quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Também é um espaço de citações

Meu livro de cabeceira nesse momento é o "Estudo sobre a retórica do consumo" de João Anzanello Carrascoza. Apesar do nome comprido e cara de livro teórico daqueles mais chatos, ler Carrascoza é um prazer a cada livro. Esse escritor que atua como redator publicitário faz com que essa profissão parece extremamente fácil - o que está longe de ser a realidade. Obrigatório nas faculdades, é um daqueles livros que vale ter na biblioteca pessoal em casa.

E é dele que tiro uma citação que vai para o blog hoje, um poema de Carlos Drummond de Andrade que achei maravilhoso. Ele é uma crítica à sociedade de massa que coisifica o homem.

Eu, Etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer principalmente)
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê-la - anúncio contratado.
É que que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A arte do feedback


Segundo definição do Wikipedia, "feedback é o procedimento que consiste no provimento de informação a uma pessoa sobre o desempenho, conduta, ou ação executada por esta, objetivando reorientar ou estimular comportamentos futuros mais adequados".

Para quem está ouvindo, é um processo de entendimento de como as pessoas te veem e, em 99% dos casos, isso é desastroso. Me impressiona como só conseguimos resgatar das pessoas os seus pontos negativos. E isso vale para todos nós em todas as situações. Não notamos o quanto as pessoas são importantes ou no que elas se diferenciam, mas mantemos na mente muito avivadamente os defeitos e conseguimos listá-los sem nem ao menos pensar por um minuto.

É impressionante como isso vai muito além da área profissional e se aplica a todos os momentos de nossas vidas. Criticamos nossos parceiros, nossos pais, nossos amigos e, como disse, sabemos os seus defeitos e manias de cabeça e, em hipótese alguma, esquecemos isso. Criamos alguns pré conceitos, ou conceitos formados mesmo, que se fundem em nossas mentes e nunca mais conseguimos ver as pessoas de outra forma, por mais que elas mudem.

Os feedbacks profissionais ou DRs (para quem não conhece, a redução de Discutir a Relação) são sempre pautados por aquilo que as pessoas precisam melhorar, sendo quase sempre deixando de lado aquilo em que elas já são boas. Parece que não há motivo para elogios, pois o que se quer é apenas aprimoramento, afinal naquilo em que já está acertando não há onde ficar melhor.

Já que parece ser impossível mudar o conteúdo dessas pesadoras DRs, cabe a quem ouve se agarrar na esperança poder melhorar. É preciso visualizar sempre o lado positivo da coisa, pois se ater apenas ao que foi dito torna a realidade muito dolorida. No fim das contas, não acredito que as pessoas não veem o que há de positivo, mas isso apenas não é motivo para se discutir uma relação.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Disney e Eu


Conhece a história de identidade secreta, aquela personalidade do super herói quando ele está de folga? Pois é, minha identidade secreta é de uma pessoa completamente apaixonada por Disney. Na verdade, é apaixonada por animações da Disney.

Há dez anos sou colecionadora dos filmes e fã de todos os seus segredos e making off e, essa semana, retomei um pouco desse meu lado ao realizar um projeto para a agência onde trabalho. Estamos montando uma estrutura de “árvore de conhecimento”, onde temos que listar aquilo que conhecemos a fundo e que não pertence a nossa área. Não tive dúvida – o meu assunto foi Disney.

Entretanto, apesar de muito conhecer, precisei pesquisar bastante para montar a minha apresentação e gostaria de compartilhar tudo o que aprendi aqui no blog. Sendo assim, segue um pouquinho desse mundo encantado para aqueles que sempre sonharam em ser super heróis ou princesas de contos de fada.


A Disney e o Oscar
Minha grande surpresa nas pesquisas foi a relação animações Disney e Oscar. Em lugar algum eu consegui encontrar de uma vez só quais foram as premiações. Meu grande site de pesquisa foi o Cine Click, onde tive que abrir premiação por premiação para descobrir os ganhadores. Segue então, em primeira mão, a listagem completa dos ganhadores

2011
Toy Story 3
Animação (trailer)
Canção Original (We belong together)

2010
Up Altas Aventuras
Animação (trailer)
Trilha Sonora

2009
Wall-E
Animação (trailer)

2008
Ratatouille
Animação (trailer)

2005
Os Incríveis
Animação (trailer)

2004
Procurando Nemo
Animação (trailer)

2002
Monstros SA

2000
Tarzan

1996
Pocahontas
Canção (Colors of the wind)
Trilha Sonora

1995
O Rei Leão
Trilha Sonora

1993
Alladin
Canção (Whole new world)
Trilha Sonora

1992
A Bela e a Fera
Trilha Sonora

1990
A Pequena Sereia
Canção (Under the sea)
Trilha Sonora

1968
Mogli - o menino lobo
Canção

1942
Dumbo
Trilha Sonora

1941
Pinóquio
Canção (When you wish upon a star)
Trilha Sonora

Curiosidades
A Disney passou por uma fase “renascentista” no período de 1989 a 1999, período esse em que voltou a produzir grandes filmes.

Entre esses encontram-se “A pequena sereia”, “Bernardo e Bianca”, “A Bela e a Fera”, “Aladim”, “O Rei Leão”, “Pocahontas”, “O Corcunda de Notre Dame”, “Hércules”, “Mulan” e “Tarzan”. (6 deles foram ganhadores do Oscar)

O filme “A Bela e a Fera” foi a primeira animação a ser indicada ao Oscar de melhor filme em 1991. Nesse mesmo ano foi também a animação com o maior número de indicações.

Além dele apenas “UP Altas Aventuras” de 2009 recebeu essa indicação.

A canção de “A pequena sereia” ganhadora do Oscar quase foi cortada do filme porque as crianças não conseguiram se concentrar na exibição dela durante a prévia do lançamento do filme;

Toy Story é o primeiro filme da história feito totalmente em computação gráfica;

Esse recurso foi utilizado pela primeira vez no filme “A pequena sereia” como um teste em uma pequena cena;

Wall-E é o único filme sem falas da Disney;

Os diretores de Mulan foram incorporados ao filme, se tornando personagens em uma das cenas;

Encantada, um filme meio animação, meio estúdio é um misto de histórias, onde a Disney incorporou todos os contos de fadas de seus próprios filmes de animação;

“A Princesa e o Sapo” é o único filme produzido em ilustração depois da era digital da Disney Pixar.

Alguns intérpretes famosos: Tom Hanks, Samuel L. Jackson, Mel Gibson, Matthew Broderick, Robin Williams, Luciano Hulk, Chico Anísio, Thiago Fragoso, Samara Felippo, Eduardo Moscovis, Garcia Junior

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Alguém como eu

Pesquisas quantitativas determinam quem é a pessoa através de números. É nesse modelo que traçamos o famoso perfil demográfico, onde o target é distribuído entre faixa etária, classe social e sexo. Já as pesquisas qualitativas são aquelas que qualificam o sujeito, indo muito além de que faixa ele pertence para mostrar a sua personalidade e os seus hábitos.

Quem trabalha com pesquisa sabe que elas não são precisas, mas que ficar sem elas é como ser vidente – só dá para contar com a bola de cristal. Como estudiosa das pesquisas que sou, afinal o ofício exige isso, buscamos em seus dados sempre determinar um target, ou seja, aquelas pessoas com quem queremos falar. Ai, de vez em quando, me surge uma pulguinha atrás da orelha: e se eu fosse o público, será que alguma pesquisa me indicaria? Ou melhor, será que existem pessoas como eu para serem classificadas em um grupo?

Avaliando em termos de consumo de mídias tenho um comportamento muito peculiar. Por ser mídia eu não leio jornal, analiso o conteúdo; não ouso rádio, escuto os spots; não assisto televisão, presto atenção nos breaks. Aqueles meios e veículos que de fato consumo são mínimos, o que me torna um target um tanto quando difícil de alcançar.

Leio duas revistas regularmente (Nova e Minha Casa), assisto ao Bom Dia Brasil diariamente e sou fascinada pelo Fox Life. Meu grande hobby é assistir filmes animados em DVD e acompanho três seriados: Grey’s Anatomy, Terra Nova e Mad man. Consumo diariamente as redes sociais, entretanto com um grupo bem fechado, sem ficar “fuçando” um lugar ou outro. Meu circuito é apenas casa, trabalho, casa – o que envolve em sua maioria a 3ª ponte.

Avaliando em termos demográficos, fica ainda mais difícil me encontrar. Teoricamente sou o famoso público C, pois é assim que se determina a minha faixa econômica. Falando seriamente, estou longe disso. Não me encaixou em nenhuma definição desse público e me assemelho muito mais à classe B, entretanto estou longe de seu poder de consumo.

Como disse, meu comportamento é muito peculiar e assim devem ser diversas pessoas. Então eu me pego pensando se é mesmo possível juntarmos tudo em um guarda chuva de pessoas tão diferentes, que possuem gostos e consumos de mídia são desiguais. Minha resposta inicial é categórica: NÃO. É impossível termos um perfil bem traçado e que reflita de fato a realidade, entretanto precisamos começar por algo. E é por isso que não se abre mão das pesquisas.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Expor ou não?


Há tempos postei no facebook que o detona as pessoas nas redes sociais é a sua vaidade. Temos uma necessidade sádica de expor os nossos pensamentos e mostrar nossos comportamentos. E, exatamente nessa época de tantos compartilhamentos, uma pulga ainda está atrás da minha orelha: o que compartilhar?

Conheço casos extremos de pessoas que postam tudo, inclusive a hora em que estão no banheiro (que venhamos e convenhamos poderia ser guardada internamente). De outro lado, tenho amigos que nem perfis nas redes sociais possuem para não exibirem nada.

Durante um tempo fiquei nessa encruzilhada e, depois de muito debater, passei uns dois anos bloqueando qualquer acesso aos meus dados. Fui amplamente radical e me escondi nas redes sociais, travando todas as minhas informações em prol do perfil privado. Não queria bisbilhoteiros nos meus espaços e me revoltei com aqueles que só queriam olhar a vida alheia.

Entretanto, depois de aprofundar um pouco nesses assuntos de redes sociais decidi que estar nelas é compartilhar. Precisamos “dar assunto” para termos seguidores e amigos. É claro que não há a necessidade de expor todos os seus comportamentos, mas manter o sigilo total também é sem propósito em relação ao que se espera das redes.

Entre o que compartilhar ou não, optei pelo meio termo. Ter um blog e querer que as pessoas o vejam é ter que me expor. Sendo assim, passei a utilizar as redes para conseguir divulgar o que penso para esse espaço. Deixo lá também algumas informações que são bloqueadas apenas para aqueles que interessam, mas de forma geral me entreguei a exposição, pois sem ela não há porque participar de uma rede social.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quero pra mim: visto para o México

Meu grande objetivo nesse ano é viajar para Cancun. Desde o ano passado já está rolando um visto via internet para o México para quem vai ficar até 180 dias no país.

Saiu hoje uma matéria no Melhores Destinos falando sobre isso. Vou deixar aqui arquivado com muito carinho para analisá-la com mais calma posteriormente - naquela hora em que a viagem toma corpo e que a gente acredita de verdade que vai "flaiar", como diria minha mãe.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quero pra mim - listagem de jornais

Pesquisando sobre jornais regionais achei essa página no Wikipédia que dá uma listagem ótima de todos os jornais do Brasil. Essas listas ficam desatualizadas com frequência, mas achei essa bem completa, portanto vai para o meu favoritos do dia.

Listagem de jornais do Brasil (dividida por regiões)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Quero pra mim - lenços

Estava me questionando dia desses onde guardar aquelas coisas que vejo na internet e que acho mega bacana para usar depois, mas que infelizmente na hora que preciso nunca está a mão. Essa semana, em um curso que estou fazendo, vi várias opções, entretanto pensei em uma que será muito mais viável: O BLOG.

A partir de agora colocarei os meus "favoritos" aqui nesse espaço, pois quando precisar deles acharei com maior facilidade. E, além disso, posso compartilhar coisinhas super interessantes que muitas mocinhas que passam por aqui irão adorar.

Começo a coluna então com um vídeo ótimo que coleciono há alguns anos sobre lenços. São várias amarrações diferentes e maravilhosas para se usar em muitas ocasiões. E, enquanto eu me perdia em vídeos no  Youtube para encontrá-lo (não disse que essas pérolas estão sempre perdidas) encontrei outro muito legal que também vou compartilhar.








sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Profissional mais uma vez

Esse post foi feito inicialmente para o blog, mas considerei que o conteúdo tinha ficado tão publicitário que ofereci o humilde texto para o site da Prósper - agência onde trabalho. Nunca me senti tão exposta na vida, pois o texto estava bem pessoal, afinal estava com a linguagem dessa minha área pessoal. Colocá-lo no ar assim, expondo tão claramente a minha opinião me deixou nua na multidão, mas como sempre não rolou nenhum comentário, então tá valendo (pela primeira vez gostei dessa ausência).

Não deixem de conferir lá no blog da agência... é só clicar aqui.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Arrepio - versão atualizada



Várias pessoas comentaram comigo sobre esse vídeo que postei sobre a Natura, então resolvi revisar esse post e falar um pouco mais profundamente porque considerei a ação fantástica.

Como alguns devem saber eu sou mídia – um “cargo” publicitário responsável por veicular a mensagem do cliente nos meios de comunicação. Sendo assim, se a minha agência tivesse pensado essa ação eu seria a responsável por colocá-la no ar, por isso quero falar sobre a complexidade desse processo.

Primeiramente, foi necessário decidir como saber que o cara que ia ao cinema estaria levando mais alguém e que essa pessoa era uma mulher. Achei fantástica a escolha do Ingressos.com, pois a meu ver essa seria realmente a única alternativa (ou algum site do tipo). Fazer “ao vivo”, com os convites na boca do caixa, não rolaria nunca porque seria impossível conhecer os compradores e preparar todo o material para entrar no ar a tempo.

Falando da exibição em si, o processo foi tão complicado quanto. A veiculação em cinema é feita por cine semanas, onde o VT começa a veicular na sexta feira e termina na quinta feira seguinte. Via de regra é “gravado um break” com todos os comerciais que serão veiculados naquela sala durante a semana e não se pode mudar.

Sendo assim, foi necessário negociar a própria ordem de veiculação que o cinema possui, além de ter que determinar uma demanda completamente diferente para a entrega dos materiais e o período em que eles veiculariam. O material da Natura é perecível e mudava a cada sessão (pelo menos foi o que entendi) e isso exigiu uma fiscalização muito mais pesada do mídia para que a ação tivesse efeito – se o VT passasse na sessão errada todo o investimento iria para o brejo.

E como se já não tivesse sido complicado o suficiente, ainda temos o “pós venda” da ação – que é de fato o vídeo que vemos. Foi necessária a contratação de uma ação promocional (que vai além do departamento de mídia dentro de uma agência) para identificar o casal daquela sessão e, depois do cinema, presenteá-los com um kit Natura.

Resumindo todo o processo, uma ação dessas só conseguiu ser brilhante porque envolveu MUITO planejamento e foi analisada de todos os ângulos possíveis. É muito provável que todos os profissionais que trabalham para essa conta tenham sido envolvidos e o que chamamos de “advogado do diabo”, onde nós mesmos apontamos todas as falhas do nosso trabalho publicitário, foi essencial para determinar todos os pontos onde essa mídia poderia ter dado errado e, assim, foi possível trabalhar para que ela fosse um ARREPIO.
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